Pensando e escrevendo ao som de Jackson Browne

Depois de muito ouvirjackson-browne, cá estou pra falar de um disco cuja história eu já manjava de antigamente, mas a sonoridade em si caiu sobre mim como uma bomba.

Browne é daqueles típicos fenômenos norte-americanos como Bruce Springsteen, Bob Seger ou Billy Joel, que fazem estrondoso sucesso local, porém são desprezados em lugares como o Brasil. Por que ao invés de compará-lo com Billy Joel, não o fazem com Neil Young? Running on Empty me soou tão clássico e essencial como Comes A Time, coincidentemente lançado no mesmo ano. (tenho sorte, pois na minha mente os discos se conectam o tempo inteiro, é mais forte do que eu!)

Browne, entrou no meu mundo através de outro fenômeno norte-americano: The Eagles. Famosos aqui estritamente pela manjada Hotel California, o grupo tem os holofotes divididos em dois caras, o bacana Glenn Frey e o não tão bacana Don Henley.
Um dos vídeos que eu tenho é dos Eagles no programa Don Kirchner’s Rock Concert, onde a banda dividia o palco com Jackson Browne, autor inclusive do primeiro hit dos Eagles, ‘Take It Easy’.

Comprei o LP de estréia de Browne, Jamaica Say You Will, barato e jogado nas ofertas (em cópia importada!). No mesmo dia encontrei com um amigo na rua, que viu o disco na minha mão e falou: ‘Nossa o mesmo nome do disco do Joe Cocker!’ Como sempre Browne saia de campo levando sova do adversário.

Depois comprei o segundo disco dele For Everyman, bem bacana, abrindo inclusive com sua versão de ‘Take It Easy’. Como sempre paguei uma pechincha pela bolacha.

Passados uns bons anos, topei com esse Running on Empty  um álbum que soa único, exatamente como deveria soar em 1978.

O disco, gravado na estrada, ou no palco, ou no quarto de hotel e até em ônibus, é nada mais do que um fiel retrato de uma tour gigante de um astro nos 70s.

Assim como Neil Young, Browne rejeitava em Running On Empty os excessos e a fama tradicional do Rock. Buscava isolamento, cantava a beleza de contemplar as arenas vazias, os roadies desmontando o palco e a última guitarra sendo encaixotada para a viagem.

Tirava proveito em se mostrar um sujeito confuso como qualquer outro ser humano. Não quis ser retirado do confortável casulo de songwriter para ser apenas mais um rock star americano babaca como o Tommy Lee, por exemplo.

A ironia ficou por conta dessa sua rejeição ao estrelato ser justamente seu maior sucesso, já que Running On Empty foi seu mais bem sucedido registro.

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Uma resposta to “Pensando e escrevendo ao som de Jackson Browne”

  1. Olá, Julio, estava acompanhando o Panacea do Haroldo e vim parar aqui. Parabéns pelo conteúdo, demais! Conheci Jackson Browne com ‘doctor my eyes’, se não me engano fazia parte da trilha do ‘reign over me’, um filme ao mesmo tempo tocante e que é um soco no estômago. Acho que foi onde conheci também Jeff Buckley, que tem uma versão instrumental para ‘A day in the life’ que eu recomendo. Passarei por aqui mais vezes e long live rock ´n roll! Abs, Andre

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