Grande guitarrista: Rory Gallagher

rorygallagheririshtour0A década de 70 foi a primeira década onde os guitarristas tiveram destaque. Jimi Hendrix. Eric Clapton. Jimmy Page. Brian May. David Gilmour. Ritchie Blackmore. Mas mesmo assim, isso não é razão pra um cara como Rory Gallagher ser praticamente ignorado em tudo que se fala sobre música, especialmente sobre blues rock. Isso poderia ser considerado um pecado grave, exceto por um porém: o próprio Rory, em sua extensa e brilhante carreira, preferiu ser outsider.
Nascido no dia 2 de março de 1948, na cidade de Ballyshannon, tendo crescido na cidade de Cork, ambas na República da Irlanda. Comprou o primeiro violão aos 9 anos. Aos 12 comprou sua primeira guitarra elétrica. Aos 13 formou a primeira banda. Com 15 anos, comprou uma Fender Stratocaster de segunda mão, instrumento que o acompanharia pela carreira toda.

A fender velha de guerra de Rory Gallagher.jpg

No meio dos anos 60 formou um power trio, Taste, que pode ser visto na versão em DVD do festival da Ilha de Wight – daqueles de banca mesmo. O festival contou ainda com Who e Hendrix. Festival que acabou marcando o fim da banda. Após um período como produtor e músico de estúdio, Rory começou sua belíssima carreira solo com 02 álbuns de uma vez: o debut “Rory Gallagher” e o fantástico “Deuce”. Começa com I’m not awake yet, sobre a vida na estrada – repare como Rory consegue o equilíbrio entre as partes de violão e guitarra, tornando a faixa belíssima. Emenda com Used to be, uma que se tornou ‘live favourite’, toca a exaustão em quase todas as turnês do cara. Tem blues de tudo quanto é tipo, um baita disco. Ouça ainda Crest of a Wave, muito boa. Em seguida, direto, um ao vivo: Live in Europe, com sete faixas da turnê européia (dã) de 72 do guitarrista. Destaque para Could’ve had religion, uma das músicas favoritas de Bob Dylan, segundo o próprio (um hiato e vamos até 94: Dylan e Rory se encontraram no festival de Montreux de 94, e Bob pediu que Rory tocasse essa música. Rory, imaginando que Dylan subiria ao palco para tocar com ele, parou o show e fez um sinal para onde Dylan estava, para ele subir ao palco. Qual a surpresa de Gallagher quando sobe Bela Fleck, com um banjo! Sem deixar a peteca cair, Rory e Bela atacam de Amazing Grace, Walkin’ Blues (de Robert Johnson) e Blue Moon of Kentucky. A jam está no cd póstumo Wheels Within Wheels, de 2003).
No embalo de gravações e turnês, Rory lança Blueprint e Tattoo, outro de seus grandes discos, que serviria de base para o seu disco mais conhecido – e pra mim, um dos 05 melhores live albuns de todos os tempos: Irish Tour, de 74. Com uma banda afiada e voltando a tocar na Irlanda após um tempo afastado, o álbum ganhou ares míticos – virou até filme, disponível em DVD. Desde o arregaço inicial com Cradle Rock, a guitarra maravilhosa de Tatoo’d Lady, o violão ensandecido de As The Crow Flies, a beleza melancólica de Million Miles Away, a potência de Walk on Hot Coats e Whos That Comming… discaço, discaço!
Vamos para 1976 e o álbum Calling Card, produzido pelo deep purple Roger Glover e considerado por muita gente boa seu melhor disco de estúdio. Não sei se chega a tanto, mas é onde a verve inquieta de Rory melhor se manifesta: jazz, blues, rocks, baladas, suíngue… muito bom.
Sempre alternando (bons) álbuns de estúdio com extensas turnês e (bons) discos ao vivo, Rory se mantinha fiel a seus princípios: música pela música, sem babação. Um exemplo de como era o cara: no Calling Card, um dos donos da gravadora pela qual o disco foi lançado sugeriu que se a música Edged in Blue fosse lançada como single, Rory teria um número 1 nas paradas. O que o cara fez? Isso mesmo: não lançou a música nem como lado B!
Outra dica, pra quem quer conhecer: o BBC Sessions dele, duplo, maravilhoso. Músicos competentes, banda afiada, repertório variado, empatia, interação… tudo isso e mais. Rory foi um gênio, que morreu bestamente (complicações após uma cirurgia no fígado, em 1995), mas sua obra está toda aí, pra quem quiser. De tão boa, ganhou o reconhecimento do governo Irlandês: um selo com seu nome.

Se pra você ouvir não é o suficiente, sugiro o DVD duplo Live at Montreux ou o triplo Live at Rockplast.

Ou curtir algumas coisas que separei e postarei logo.

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Uma resposta to “Grande guitarrista: Rory Gallagher”

  1. Grande lembrança Julio! Rory Gallagher é show de bola, para dizer o mínimo. Adoro o cara. Um dele que tenho e ouço muito é o Calling Card…Fantástico!

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